DIVAGAÇÕES SOBRE VÍCIOS


Meu primeiro vício foram as histórias em quadrinhos, lembro de ir à banca de revistas quando era pequeno com meu avô e comprar muitas revistas em quadrinhos. Minha primeira revista foi uma da Liga da Justiça onde o Guy Gardner acaba causando um incidente internacional ao invadir a Rússia em plena Guerra Fria. Não entendi a história direito porque tinha perdido os números anteriores e fui percebendo que tudo tinha uma continuidade, depois comprei uma do Flash, eram histórias curtas baseadas na série de TV que passava na época... Acho que tinha histórias escritas pelo John Byrne.


O meu segundo vício foram as mulheres, me apaixonava rápido demais por cada uma delas, diziam que eu era intenso demais. Dos vícios que eu tive, este foi definitivamente o mais perigoso, mulheres são muito mais racionais e metódicas e não se apegam tão fácil como dizem por aí. Elas são inconstantes e colocam a culpa de tudo na TPM. Minha primeira namorada só esteve comigo enquanto eu lhe dava presentes, minha segunda encontrou alguém mais interessante e a terceira me odiou depois do aborto. Acho que eu preferia ter sido homossexual, ao menos teria um namorado que jogasse videogame comigo sem problemas hormonais. TPM é a pior coisa que existe neste mundo, definitivamente.


Então veio o vício em bebidas, desencanei das mulheres e comecei a beber de manhã, de tarde e de noite. Fumei maconha só três vezes na minha vida, a primeira quando entrei na faculdade com alguns colegas, a segunda foi com meu irmão no show do Smashing Pumpkins e a terceira foi com meu pai depois que meu irmão morreu. Prefiro as bebidas mesmo, não vejo muita graça em tragar uma fumaça pra dentro dos pulmões, não faz sentido pra mim.


Mudei de vício, cansei de ficar bebendo, meu vício seguindo foi estudar para ser astronauta. Sempre quis ser astronauta, nunca deixei de me empenhar, mas só depois de algumas coisas que a vida fez comigo é que realmente me empenhei neste projeto. Estudava de tudo, química, física, matemática, biologia e tudo mais que um astronauta precisa saber. Foi então que comecei a sentir prazer pelo conhecimento, comecei a estudar coisas que um astronauta não “precisa” saber, ou precisa, mas não estudam. Sociologia, literatura, política e tudo o mais que aparecesse na minha frente.


Com a mente fervilhando de conhecimento dos mais variados, percebi que adquiri o vício de ficar deprimido... Foi Sócrates que disse que a ignorância é a base da felicidade? Acho que foi. O conhecimento faz com que nossa mente fique triste com a realidade que nos rodeia. Tudo parece tão errado e irreal.


Não importa quantos vícios eu tenha tido, tudo em demasia faz mal, mesmo o conhecimento.


Mas e se me perguntassem hoje se eu preferia o conhecimento ou a felicidade?


Acho que não pensaria duas vezes.


A escolha é óbvia.


Ficaria com o conhecimento.

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