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TARIQ

February 19, 2015

 

Tariq é o baterista do Formigas de Mercúrio, o membro mais novo da banda, deve ter aparecido no Edifício há apenas quinze anos. Nunca se acostumou com a vida no Edifício, sempre buscou algo diferente, fora do habitual. Tocar bateria foi apenas uma de suas inúmeras fugas. Enquanto bate suas baquetas é como se golpeasse o próprio Edifício, como se esmurrasse a cara de todos os idiotas que vão Sábado à noite ao bar Enxame, onde eles tocam sempre às 22:15 em ponto. Como se pudesse destruir a fundação daquele lugar, abalar suas estruturas e colocar tudo abaixo, todos os infinitos andares.

 

As drogas são sua mais nova empreitada, qualquer tipo, contanto que consigam apagar esta realidade suja que insiste em tomar conta de sua percepção de mundo. Acordar, comer, tocar bateria, sexo, drogas e dormir.

 

Tomou aquela droga púrpura e foi para a lanchonete perto da sua casa, onde sempre faz suas refeições.

 

- Me vê uma torta de mirtilo e um café – pede ele pra sempre simpática garçonete enquanto pensa porque diabos uma pessoa iria querer ser garçonete no Edifício.

 

A droga bateu.

 

Tariq começa a sentir seus pés se movimentarem, primeiro lentamente até atingir um ritmo acelerado. Perde o controle dos pés enquanto eles vibram incessantemente. Parece o zunido de um inseto, as pessoas começam a reparar, ele se vira de lado para conseguir olhar seus pés que agora se metamorfoseiam em duas moscas. As pessoas gritam e saem eufóricas do local. A garçonete derruba a torta de mirtilo e o café no chão. Os pés de Tariq são moscas que tentam alçar voo. Incontroláveis, gigantes, vibrantes e monstruosas.

 

Tariq deixa o desespero tomar conta dele, suas coxas parecem uma massa de pão no liquidificador, vibram junto com as moscas gigantes que eram seus pés – flácidas – ele pensa, não sabia que suas coxas estavam tão flácidas para sacudirem desta maneira.

 

Duendes Mecânicos invadem o local, cortam seus pés que agora são moscas que saem voando até Tariq perde-las de vista. Derrubam o baterista no chão e abrem seu crânio enquanto ele grita. É o fim, está liquidado para sempre.

 

Aonde seus pés irão sem ele? O que irão comer para sobreviver? – é isto que pensa enquanto abrem seu crânio e deformam seu cérebro.

 

- Aqui está seu pedido, senhor Tariq – diz a garçonete se aproximando.

 

Tariq volta da viagem púrpura, olha para a torta de mirtilo e para o café na mesa bem na sua frente. A mulher se afasta ao perceber que ele está estranho, suor escorre pela sua nuca – foi uma viagem daquelas – ele pensa.

 

Seus pés não estão mais vibrando e estão no local de sempre, come uma fatia da torta e fica maquinando como vai conseguir mais deste bagulho. Precisa viajar mais.

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