ROCK IN RIO III (2º SÁBADO)


Era o dia 20 de janeiro de 2001, Vitor nem imaginava que era o aniversário de quatro anos da sua filha. Filha que nem sabia que existia, que viria a conhecer só no ano seguinte. Era também o segundo sábado do Rock in Rio III, ele voltou para o Rio de Janeiro, desta vez com seu amigo Marcel. Havia acabado de conseguir um emprego na TelPhone S.A., uma empresa de celulares, começava a trabalhar na semana que vem.


Ele e Marcel foram em um ônibus sem ar condicionado, dos mais baratos. Depois do sábado anterior, não queria mais ser congelado durante horas na estrada. A primeira banda a tocar foi os Engenheiros do Hawaii, Vitor conhecia bem a banda, vivia indo em shows deles, entrava nos camarins e o vocalista Humberto Gessinger certa vez disse para Vitor que ele era a única pessoa que conhecia que havia nascido no mesmo dia que ele, mas tudo isso é assunto pra outra crônica. Vitor estava inclusive com a camiseta azul da banda que tem até hoje que havia ganhado de seu primo Giorgio.


O segundo show foi do Kid Abelha, era uma banda que Vitor e Marcel curtiam, mas definitivamente foi um dos piores shows que assistiram na vida. Eles não tinham a menor presença de palco, um show morto, sem empolgação nenhuma. Paula Toller estava linda, como sempre, e era só por causa disso que o show valia alguma coisa. O público parecia que estava morrendo, os casais se beijando e tudo parado. Acho que foi no show do Kid Abelha que todo mundo tirou uma pausa pra jantar.


- Agora é o show da Elba Ramalho com o Zé Ramalho – disse Marcel.


- Eles são parentes? – perguntou Vitor.


- Acho que são primos.


- Não são irmãos? – não estavam muito empolgados pra esse show, afinal estavam no Rock in Rio, o que cantores de MPB que misturavam um estilo nordestino tinham haver com rock? Queriam um show pesado, com o bom e velho rock ‘n roll.


Entraram no palco e definitivamente foi um dos melhores shows que Vitor já teve o prazer de assistir. O som estava pesado, eles conseguiram se moldar muito bem ao público que tinham, presença de palco impecável, não decepcionaram ninguém que estava ali. Acho que a maioria das pessoas foram pegas de surpresa com o show, foram fisgadas na hora. Elba e Zé simplesmente detonaram para a surpresa geral da nação. O público pulava, nem parecia o mesmo que estava acompanhando ao show morto do Kid Abelha. A galera foi à loucura, acho que até os músicos ficaram surpresos com a recepção (lembrando que o chato do Carlinhos Brown foi recepcionado com uma chuva de garrafinhas plásticas uns dias antes).


E assim terminaram os shows nacionais do palco principal, ainda assistiram a uns caras irlandeses em outro palco, mas Vitor não lembra mais o nome da banda. Ia começar as atrações principais, Vitor e Marcel foram adentrando no meio da multidão, rumo à grade.


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