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Eu gosto de ler desde criança. Lembro-me que, além dos livros que a escola indicava para lermos, pegava alguns livros na biblioteca da escola, mas não me recordo o título deles. O primeiro livro que me vem a cabeça quando lembro de minhas leituras juvenis é um daquelas coleções Sabrina, Julia, Bianca que existiam (e ainda existem, se não me engano). Minha mãe e minha tia tinham vários desses livros e viviam trocando para atualizar as leituras.

 

Para quem não conhece essa coleção, são romances água com açúcar com muito sexo e final (quase sempre) feliz, alguns diriam que eram “livros de mulher”. Logo depois fui descobrindo os outros livros que minha mãe tinha dentro de casa, livros que ela comprava por meio de um clube de leitura chamado “Clube do Livro”. Dentre esses, lembro de um intitulado “De Bar em Bar”, de Judith Rossner, com uma história pesada e que me mostraria que mulher não é apenas “bela, recata e do lar”. A história conta sobre uma professora irlandesa, de 28 anos, que é encontrada morta em seu apartamento. Ela foi estuprada e estrangulada. Ela vivia uma vida dupla, durante o dia era uma respeitada professora e à noite saía à procura de companhias para acabar com suas noites solitárias e angustiadas.

 

Bom, porque falei desse livro? Porque, em 2016, no Brasil, houve 135 estupros por dia¹. São 49.497 casos no total. Pensa comigo: 24 horas tem 1440 minutos, se você dividir 1440 por 135, chega-se no resultado de 10,666666, ou seja, a cada 10 minutos uma mulher foi estuprada. No momento em que escrevo essa crônica, outra pode estar sendo estuprada. Ao mesmo tempo em que você está lendo isso, outra mulher está sendo estuprada e quando você terminar de ler, outra será vítima de estupro. Sem contar que esse número poderia ser bem maior caso TODAS as mulheres estupradas relatassem seu agressor.

 

Quando se lê os dados do Dossiê Mulher 2017², podemos ver que a relação do estuprador com a vítima, em sua maioria são pessoas conhecidas: o ex-companheiro ou o companheiro aparece em primeiro lugar, em segundo lugar estão pais/padrastos, em seguida algum parente e em quarto lugar o autor do estupro foi um conhecido da vítima (amigo, vizinho, etc...).

 

No Canadá, em 2011, estudantes da Universidade de York estavam sendo assediadas e fizeram uma palestra com um policial. Esse policial disse que as mulheres não deveriam se vestir como vadias para não serem vítimas de abusos. Como se a culpa fosse delas ou da roupa que elas vestiam. A partir desse momento, surgiu as Slutwalks, no Brasil esse movimento se chama Marcha das Vadias. Por mais que lutemos contra esses assédios, mais a sociedade machista quer estereotipar a mulher como sexo frágil. Acho que no fundo os bullys, os machões de plantão tem é medo do poder que as mulheres têm, porque eles podem perder... e muito.

 

O livro da Judith Rossner foi o primeiro livro que li com uma temática tão pesada, e não é o único. O que precisamos aprender a entender é que a culpa não é da vítima, porque o perigo pode morar ao lado, ou dormir ao lado. A mulher pode e DEVE ser livre em suas escolhas!

 

De repente, sente uma pressão no braço. Vira o rosto e sente a força chegar com violência. Um cuspe de sangue. Abre-se um machucado. Olho roxo. A dor é maior na alma do que na pele. A dor é dilacerante. “Puta. Quem mandou você sair de casa?”. Outro murro, agora quebrando uma costela. Jogada na cama, ele amarra as mãos dela e dá-lhe outro soco.

 

Ao acordar, sangue por toda a cama. Vergonha. Humilhação. Dor.

 

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh....

 

Dooooooooooooooooooorrrrrrrrrrrrrrrrr....

 

Eu não sei você, mas eu sinto asco, sinto dor e o corpo e alma que estão sendo violentados nem são meus. Você consegue se colocar no lugar dessas mulheres? Se sim, talvez você seja uma pessoa humanizada e com empatia, se não, eu sinto muito por você! E como diria a música de Elza Soares que venceu um Grammy Latino por seu último álbum intitulado “A mulher do fim do mundo” e que está na lista dos 10 melhores álbuns de 2016,

 

“[...] E quando o samango chegar

Eu mostro o roxo no meu braço

Entrego teu baralho

Teu bloco de pule

Teu dado chumbado

Ponho água no bule

Passo e ofereço um cafezim

Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim... [...]”

 

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* Ao som da música “Maria da Vila Matilde”, de Elza Soares

 

1 Dados do Anuário Brasileiro da Segurança Pública (http://www.forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2017/12/ANUARIO_11_2017.pdf)

 

2 Dossiê Mulher 2017 (http://www.ispdados.rj.gov.br/SiteIsp/DossieMulher2017.pdf)

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