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Escrever ou não escrever, eis uma questão que me move todos os dias. Tem dias que o ato de escrever é a função mais fácil que desempenho, tem outros que preferia qualquer coisa a escrever. Ainda mais eu que faço uma graduação que pensar e escrever é a primeira das atividades.

 

Às vezes, ao ler um livro, fico imaginando se aquele autor teve dificuldade em escrevê-lo, o tempo que levou a escrever, quantas vezes releu e modificou a história. Pois comigo é mais ou menos assim: se eu “vomito” uma poesia, provavelmente não vou reescrevê-la, porque pra mim a poesia não é uma construção, é epifania. Se escrevo um conto, leio e releio até ele ficar no formato que eu quero, peço para outras pessoas lerem e me darem um feedback, caso tenha deixado alguma coisa de fora ou repetido acontecimentos e falas. Agora, para se escrever um TCC e/ou artigo é preciso todo um estudo, uma leitura daquilo que você quer colocar no papel (no caso, no computador mesmo), e isso dá um trabalho.

 

Ao ler um livro sobre escrita, como “Confissões de um jovem romancista”, de Umberto Eco, ou “Romancista como vocação”, de Haruki Murakami, percebo que não estou sozinha no mundo. O italiano Umberto Eco, por exemplo, diz que começou a escrever na infância e nunca terminava um livro porque o fazia na mão, em letra de forma, e quando se cansava de escrever algumas páginas depois, a história ficava de lado. Ainda bem que quando começou a utilizar a máquina de escrever ele terminou e publicou seus livros. Já o escritor japonês Haruki Murakami, diz que escrever é um ato individual e físico e explica que seus dois primeiros romances foram escritos na cozinha de seu apartamento, à mão, enquanto sua esposa dormia no quarto ao lado. Ele ainda fala que quando trabalha em seu escritório, por seis horas seguidas em algum romance, a cabeça dele chega a ficar quente, então ele sempre tira um cochilo depois de escrever.

 

Assim, vou passando os dias, alguns doloridos porque não consigo escrever nem uma página, e em outros fico feliz de conseguir passar de duas páginas. Mas sempre que termino de escrever pergunto-me: o que vem depois da escrita?

 

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Ao som de “Impossível escrever sobre nada”, de Fito Paez e Paulinho Moska

 

 

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