RADIOHEAD


O Kraftwerk havia saído do palco, continuando a narração do dia 22 de março de 2009, a expectativa era para quando o Radiohead subisse e fizesse o show tão esperado. Parece que faz tão pouco tempo, mas na época as pessoas ainda usavam Orkut.


As pessoas sempre acharam Vitor parecido com o Thom Yorke, ele não se achava parecido, mas eram várias as pessoas que diziam “Nossa! Você parece aquele cantor do Radiohead”. Ele até tinha um olho maior que o outro, mas não tão evidente. Não se achava tão esquisito assim... mas beleza, melhor parecer o vocalista do Radiohead que o Lobão.


- Na Argentina os caras encerraram com Creep – disse Vitor se referindo ao show anterior da banda, fazia dezessete anos que eles não tocavam esta música.


- Sim, eu vi isso, faz anos que os caras não tocam... encerraram o show, acho que não vão ficar devendo essa pra gente. – disse Marcel


- Mas vão tocar mais músicas do Kid A, acho – completou Eurico – afinal, ainda hoje é o álbum mais vendido dos caras.


Era a turnê do In Rainbows, um excelente álbum, que Vitor andava ouvindo bastante, enquanto esperava Beatriz nas aulas de natação.


Quando o show começou já veio com 2 pés no peito com a barulhenta 15 Step, a música que abria o álbum da turnê, mas o show foi bem equilibrado, tocaram músicas de todos os álbuns, mas quase nada do Hail To The Thief (uma pena, pois Vitor adorava este álbum, mas não dava pra agradar todo mundo).


Mas o que dizer de um show do Radiohead? É tudo muito perfeito, parece um relógio atômico em ação. Tudo preciso e hipnótico. Os ataques epiléticos do Thom Yorke é só um algo a mais no meio de um baita show. Não tem muito como expressar, é só vendo pra entender, estando lá sentindo o ritmo, a música, o transe.


Quando chegou ao fim a música que representava toda a geração de que Vitor fez parte foi tocada ao vivo depois de dezessete anos, e depois de 2009 ela só foi tocada de novo sete anos depois: Creep.


But I'm a creep

I'm a weirdo

What the hell am I doing here?

I don't belong here



Vitor era o chato, o estranho e não pertencia ao mundo que fazia parte. Quantos ali não eram como ele? Quantos ali não entendiam este sentimento? Marcel estava indo embora para o mundo “normal”: casa, família, filhos. Era o último show que veriam juntos... Vitor sabia disso... Marcel sabia disso... e assim foi.

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